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Tipos De Citação

Tipos De Citação
Neste artigo
  1. Uma orientação prática sobre citações
  2. Um problema prático que quase ninguém prevê
  3. Quando usar cada tipo na prática

Uma orientação prática sobre citações

A maioria dos alunos e pesquisadores tem problemas com formatação porque ninguém ensina isso direito nos cursos de graduação. Eu já corri esse filme várias vezes, revisando trabalhos e corrigindo monografias que simplesmente não seguiam a norma. O padrão mais usado no Brasil é a ABNT NBR 10520, e ela define pelo menos quatro formas distintas de citar. A confusão começa quando você tenta aplicar regras de outras normas ou quando o orientador pede algo que não está na norma. Existem basicamente quatro categorias principais. A primeira é a citação direta curta, que vai de até três linhas. Nesse caso, você coloca o texto entre aspas duplas dentro do parágrafo, sem quebra de linha, incluindo autor, ano e página. Exemplo: Segundo Silva (2020, p. 45) "o conceito de sustentabilidade evoluiu nas últimas décadas". Outra variação válida é colocar a citação no final da frase: "o conceito de sustentabilidade evoluiu nas últimas décadas" (SILVA, 2020, p. 45). A segunda categoria é a citação direta longa, superior a três linhas. Aqui você deve recuar o bloco inteiro 4 cm da margem esquerda, usar fonte tamanho 10 (um ponto menor que o corpo do texto), simples espaçamento e sem aspas. Isso vale tanto para ABNT quanto para APA, por sinal. Se o texto original tiver grifo, você indica com [grifo nosso] ou [negrito nosso] entre colchetes após a citação.

A terceira é a citação indireta, ou seja, o paráfrase. Você lê o original, entende o conteúdo e reescreve com suas palavras. Basta indicar autor e ano. Não precisa de página nessa modalidade, a menos que a norma específica do seu programa de pós-graduação exija. A vantagem é enorme em termos de fluidez do texto, mas o risco de plágio acidental é real se você se aproximar demais da redação original. A regola prática que eu uso é ler o parágrafo original, fechar o texto e só então escrever. Se alguém conseguir identificar a fonte original pela sua escrita, você para e refaz. A quarta é a citação de citação, quando você quer citar algo que apareceu em outro autor. Isso funciona assim: você lê o autor B que citou o autor A, e você só tem acesso à obra de B. O formato correto é: (APELIDO, apud AUTOR secundário, ano, página). Na referência bibliográfica, você lista apenas o autor secundário, aquele que você efetivamente leu. Jamais invente uma citação que você nunca consultou. Isso acontece mais do que se imagina em revisões de literatura pressas. Tem ainda uma modalidade que muita gente esquece: a citação textual com supressões. Quando você corta partes do texto original, indica com reticências entre colchetes [...]. Se quiser acrescentar algo seu dentro de um trecho citado, usa colchetes retangulares [...] para diferenciar do original. É um detalhe que corretores de revista científica pegam na hora.

Um problema prático que quase ninguém prevê

Numa revisão sistemática que eu fiz para um doutorando, o problema era que o banco de dados de onde extraímos os artigos não trazia numeração de página fixa — eram artigos online com localização por parágrafo. Eu precisava citar de forma precisa, mas as páginas não existiam. A solução que funcionou foi usar a numeração de parágrafo indicada pelo próprio artigo quando disponível: (AUTOR, ano, par. 5). Se o artigo não tivesse parágrafos numerados, usamos a seção e o subtítulo como referência: (AUTOR, ano, sec. 2, subsec. 2.1). Isso não estava explícito na norma, mas é aceito pela comunidade acadêmica como procedimento razoável. Algumas universidades até exigem isso em seus manuais internos. A primeira é misturar normas sem aviso. ABNT pede sobrenome em caixa alta nas referências, APA não. Se seu programa de pós-graduação segue APA e você copia regras de um site que ensina ABNT, a banca vai marcar erro. A segunda é confiar cegamente no gerenciador de referências. O Zotero e o Mendeley fazem 90% do trabalho bem, mas eles erram no formato de citação de citação e muitas vezes não inserem o "p." ou "par." corretamente. Sempre revise manualmente cada entrada antes de entregar. A terceira pegadinha é mais sutil. Quando você faz uma citação direta longa e precisa traduzir o trecho, a norma exige que você indique que é tradução sua. O formato é: (AUTOR, ano, p. XX, tradução nossa). Se omitir isso, a citação é considerada plágio de tradução, mesmo que o conteúdo seja fiel ao original. Eu vi isso acontecer numa dissertação que foi solicitada a correção por esse motivo específico.

TIPOS DE CITAÇÃO - AS PRINCIPAIS VARIAÇÕES
TIPOS DE CITAÇÃO - AS PRINCIPAIS VARIAÇÕES

Quando usar cada tipo na prática

Use citação direta curta quando o autor disse algo de forma tão precisa que reescrever perderia o sentido técnico ou conceitual. Frases definidoras, normas técnicas, definições operacionais são bons candidatos. Use citação direta longa quando o argumento inteiro do autor precisa ser citado, o que é raro e geralmente sinaliza que você está fazendo muito resumo e pouco diálogo com a fonte. Use citação indireta na maior parte do tempo — é mais eficiente, permite maior controle narrativo e evita o excesso de textos entre aspas que deixam a leitura pesada. E cite de citação somente quando for estritamente necessário, preferindo sempre localizar a obra original. Na minha experiência, um artigo de revisão bem feito tem entre 70% e 80% de citações indiretas, 15% a 20% de citações diretas curtas e no máximo 5% de citações de citação. Se os números estiverem muito diferentes disso, provavelmente há excesso de colagem de trechos sem análise própria. Esse desbalanceamento é um dos indicadores mais confiáveis de um trabalho que ainda precisa amadurecer na hora da avaliação.

Types of Citations - Núcleo do Conhecimento Multidisciplinary Scientific Journal
Types of Citations - Núcleo do Conhecimento Multidisciplinary Scientific Journal

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